5.11.15

Estilista Carol Barreto lançará coleção no Dia da Consciência Negra na Black Fashion Week Paris

Carol Barreto é convidada VIP da Semana de Moda Internacional - quarta edição da Black Fashion Week Paris, onde irá desfilar no Dia da Consciência Negra no Brasil, 20 de novembro, sua “Coleção VOZES: Moda e Ancestralidades”, composta por 10 peças. Única representante e primeira estilista do Brasil a participar do evento,  Carol Barreto é do Recôncavo Baiano e a primeira criadora de moda que assume a perspectiva anti-racista nas suas criações a alcançar visibilidade internacional. A quarta edição da Black Fashion Week Paris acontece de 19 a 21 de novembro de 2015, no Carreau du Temple, 4 rue Eugène Spuller, 75003, na capital francesa.


A organizadora da Black Fashion Week , Adama Ndiaye , ao conhecer o trabalho de Carol Barreto vislumbrou o  forte potencial de repercussão dentre a mídia internacional e profissionais de moda em Paris.  Adama Ndiaye é uma designer de moda senegalesa, que assina a marca Adama Paris. Suas peças, que são fabricadas no Marrocos, podem ser encontradas em Nova York, Tóquio, Londres e Paris. É fundadora e produtora de diversos eventos de moda, como o Dakar Fashion Week, Afrika Fashion Awards, que se tornou o "troféu de moda africana" (TMA) e Black Fashion Week que já foi realizada em Paris, Londres, Praga, Montreal e Milão. Adama e sua equipe também lançaram "África Fashion TV", o primeiro canal de televisão do modo 100% Africano em abril 2014.

Para Carol Barreto, sua participação na Black Fashion Week, evento multicultural que foca na expressão da diversidade cultural negra por meio da moda, será de importante contribuição para a construção de visibilidade das mulheres negras brasileiras no campo da moda, contribuindo com as intenções do evento em expor a diversidade de criações assinadas por pessoas negras e negros.

Na Black Fashion Week Paris diversos artistas também poderão potencializar suas experiências estéticas, no que tange às referências de negritude na contemporaneidade,  pois o evento propiciará a troca de experiência profissional e intercâmbio cultural com criadores de moda de diversos países do continente africano como Senegal, Camarões, Líbano, Benin e Marrocos, além de outros países que compõem o grupo da Diáspora Africana no Ocidente.





Sobre a coleção:

A coleção "VOZES" evoca um debate sobre a pós-colonialidade e questiona: O que significa ser fruto de um país que foi colonizado? Como os povos colonizados encontram maneiras de resistir? As roupas mostram essas formas de resistência através da mistura de materiais diversos, que trazem traços dos colonizadores europeus adaptados e remodelados por nossa herança africana num resultado multicultural único. Não se trata de moda étnica, mas da moda evidenciando as raízes do Brasil sem exotismo e sem estereótipos.
Nessa história, os trabalhos manuais e artesanais foram centrais na manutenção do luxo de grupos privilegiados, bem como da condição de vida de muitas famílias trabalhadoras. Então, a coleção “VOZES” foi criada a partir do universo do patchwork, adotando o princípio do ethical fashion e da sustentabilidade socioambiental, utilizando técnicas de reaproveitamento de resíduos de tecidos.
 A partir do reaproveitamento de resíduos têxteis, doados por uma confecção, a coleção foi elaborada. Os retalhos de tecidos africano, estampas florais e bases multicoloridas de fibras sintéticas e de algodão foram base para construção artesanal com técnicas de Manipulação Têxtil, em especial o Patchwork Geométrico e Orgânico, manipuladas sob orientação da artista equatoriana Karin Galvão para construção de tecidos exclusivos, confeccionados por um grupo de estudantes de duas instituições de ensino superior para elaboração das peças que compõem a Coleção Vozes.  A cartela de materiais é composta por tecidos pretos e off white de alta qualidade que com perfeição dos fios ao acabamento, misturam fibras naturais e tecnológicas como: linho + poliamida, algodão + poliamida, seda + viscose. A estes se agregam as técnicas artesanais de Manipulação e Transformação Têxtil num conjunto que provoca uma explosão de cores e o contraste necessário para expressão do tema da coleção. Como complemento, elege o crochet em pequenos detalhes e joias feitas à mão em fio de seda para compor o styling.

No percurso da criação colecionam-se inspirações na visualidade multicolorida das Herrero da Namíbia – que redesenharam a indumentária vitoriana com patchwork multicolorido desde o séc. 19 - e apura o olhar analisando tais provocações pós-identitárias junto à obra do artista inglês - de origem nigeriana - Yinka Shonibare, que redesenha cenas clássicas da nobreza europeia do século XVIII em esculturas feitas com manequins sem cabeça vestidos com peças características desse contexto, mas reproduzindo suas vestes em tecido africano estampado.

Tais estratégias de enfrentamento das referências citadas, serviram de inspiração estética para a criação e conectam-se as práticas de resistência dos quilombos do Recôncavo Baiano, que hoje apoderam-se daquilo que outrora imprimiu a subalternização. Assim, da sua região de origem coleta narrativas que, materializadas por meio de um conjunto de técnicas manuais e da assinatura de diversas mulheres artesãs e designers, são o lastro da coleção VOZES, que apresenta a nobreza do trabalho manual, desde a prática ao conceito de apropriação e resistência, concretizadas numa cartela de cores viva e multicolorida que contemplam brasilidade e ancestralidade, sob a perspectiva de: OUTRAS VOZES 








Sobre o projeto de circulação:

O trabalho consiste num projeto de circulação internacional de um trabalho de moda, cujo processo criativo e produtivo foi construído coletivamente, pautada na minha experiência como estilista e designer de moda, pesquisadora e educadora que debate as intersecções entre gênero, relações étnico-raciais e sexualidades no universo das aparências e assim compreende o produto de moda como aspecto central nas relações de poder.
  
O resultado da pesquisa são peças de roupa cuja geometria faz referência à indumentária tradicional de comunidades africanas com o traço afro-futurista da designer que evoca o debate sobre identidade das mulheres negras na Diáspora Africana e um trabalho fotográfico que construirá a imagem de moda a ser apresentada nos eventos de moda, construído na comunidade remanescente quilombola de São Francisco do Paraguaçu, fotografando como modelos dessa produção as adolescentes de Santiago do Iguape e Tabuleiro da Vitória. Busca-se nesse intercâmbio gestar ações de super relevância para minha construção profissional e visibilidade da arte de criadoras negras baianas no Brasil e no Mundo, além de se criar redes para a troca construtiva nos processos de contrapartida.

O projeto “Vozes - Moda e Ancestralidades” se iniciou em fevereiro de 2015, desde então muitas parcerias foram feitas com profissionais que assinam conjuntamente esse trabalho: Karin Galvão com a criação de manipulação têxtil e patchwork, Carla Calixto com as tramas de crochet , Laila Rosa musicista que gravou na comunidade uma trilha sonora e Maiara Cerqueira no tratamento de imagem e fotografia. Via rede social publicamos a proposta de editorial de moda em Santiago do Iguape, por meio da divulgação da nossa Vaquinha - forma coletiva de arrecadar o recurso mínimo para viabilizar a produção externa com tamanho deslocamento – e assim integraram-se à equipe Emile Brito - hair stylist e especialista em cabelos de mulheres negras - Claudio Manoel Duarte  e Gleydson Publio - video artists que gravaram o documentário na comunidade – e Lu Pires que assina os calçados exclusivos e feitos à mão!

Na etapa de confecção e materialização dos tecidos e partes das peças da confecção da coleção contamos com a especial contribuição do grupo de estudantes de moda da UNIME, que compuseram a etapa criativa e de confecção do projeto – Merie Souza, Sara Regina, Bianca Pimentel, Everli Barbara, Fátima Audislene, Elisania Paulino, Elizabete Leitão, Lôro Velansk,  Joelice Soares , Kris Viana, Edileuza, Ângela Sodré - pessoas dedicadas que junto com as estudantes da EBA - UFBA Thaís Medeiros e Andreza Pires - construíram a materialidade e o aprendizado das técnicas de manipulação têxtil ensinada por Karin Galvão. Nesse grupão de gente boa, a presença da grande maioria dos profissionais listados se fez indispensável e cada pessoa listada acima tem função específica na produção da imagem final da criação elaborada.

O projeto “Vozes” tem como objetivo promover a valorização da beleza de mulheres negras moradoras do Recôncavo Baiano, em especial habitantes de comunidades tradicionais, inserindo de forma positiva elementos do design baiano e da cultura local, por meio de um editorial de moda desenvolvido por profissionais que compõem uma mesma equipe de trabalho há alguns anos, atuando de forma colaborativa na produção de trabalhos de moda que visam construir um discurso feminista e anti-racista. Também se busca, por meio da construção de imagem de moda ampliar dentre a população negra o contato com tal linguagem historicamente excludente, visibilizando as etapas de um processo criativo fundamentado a partir de reflexões sobre as relações entre moda, gênero, relações étnico-raciais e cultura baiana, a serem materializadas nas ações de pré-produção, produção e pós-produção das fotografias de um editorial de moda focado nas meninas pertencentes às comunidades quilombolas sob as lentes da imagem de moda.

O propósito é contribuir com a reparação do alcance do racismo na construção de representatividade no campo da produção de imagens no país, que ainda nega a existência desse problema histórico e socio-cultural. No âmbito do design de moda, o Brasil é um país carente em investimentos nas produções de estilistas negras e negros e no reconhecimento do trabalho de modelos negros e negras, que pouco têm espaço nas principais semanas de moda do país ao assumir essa identidade. O número de estilistas brasileiros negros em atuação e com projeção no mercado de moda nacional e internacional é menor ainda e mesmo na cidade de Salvador poucos profissionais negros e negras que assumem essa identidade e campo de pesquisa, alcançam visibilidade local, nacional ou internacional. Diante disso, intentando aprofundar as pesquisas sobre Diáspora Africana e o Design de Moda na Bahia e no Brasil - tema de interesse permanente para elaboração do nosso trabalho.

Tal reflexão e prática de ModAtivismo é tema de pesquisa do projeto de tese de doutorado de Carol Barreto que busca elaborar processos criativos e produtivos respeitáveis e horizontais para construção de produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero, corroborando com as propostas do Ethical Fashion e Slow Fashion, tendência internacional.



Designers parceiras:

KARIN DOLORES – Equatoriana, Administradora de Empresas, Designer de moda e Artesã. Pesquisadora e produtora de Manipulação e Transformação Têxtil, desenvolvidos para diversos propósitos em especial vestuário. Professora de técnicas de Patchwork, Tie Dye, Batik e outras técnicasde reaproveitamento de resíduos têxteis.

MARIA VIANA: Baiana, graduada em Design de Moda pela Unime, pilotista, costureira, modelista e especialista em confecção para passarela e festa.

CARLA CALIXTO -Baiana, Estudante de Design (UFBA). O atelier Carla Calixto, produz peças que passeiam no universo da moda, da decoração e de algumas intervenções urbanas. O design de suas peças tem como suporte as técnicas manuais como o crochê, tricô, costura e bordados, habilidades adquiridas na infância por meio dos ensinamentos de sua mãe e avó.

 JU FONSECA -Designer de Moda nascida em Cruz das Almas - BA, escolheu os acessórios como forma de expressar seu amor pelas cores, formas e linhas  e apresentar para o mundo o que há de mais belo na Bahia, com suas referências africanas e originalidade de peças que são produzidas uma-a-uma, com fios de seda e cordões, num trabalho artesanal que evoca referências do recôncavo baiano, seu local de pertença.



CAROL BARRETO elabora produtos e imagens de moda a partir de reflexões sobre as relações étnico-raciais e de gênero. Designer de Moda, Docente do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade - FFCH – UFBA, Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM – UFBA, Doutoranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade - PosCultura - IHAC – UFBA, Coordenadora de Gênero e Diversidade do CEN – Coletivo de Entidades Negras – seus trabalhos acadêmicos e práticos como artista, pesquisadora e designer estão intrinsecamente ligados e voltados para a construção de representações que empreendam uma comunicação mais consciente a ser atrelada ao consumo de moda. Nessa caminhada entre passarelas, desfilou coleções em eventos de moda em Salvador - BA, Recife - PE e Fortaleza - CE, importantes capitais do Nordeste do Brasil e foi premiada em duas ocasiões. Em 2013 foi convidada a representar o Brasil na Dakar Fashion Week, no Senegal, evento internacional que reúne criadores de diversas nacionalidades que expressem a diversidade cultural de seu país. No Dragão Fashion Brasil – CE em 2014 apresentou a coleção FLUXUS, cujo desdobramento no mesmo ano se deu com lançamento de exposição de fotografias do editorial de moda e dos looks da coleção, entrevistas a mídias televisivas na Bahia e na mídia impressa nacional e internacional. Nascida em Santo Amaro da Purificação - BA, a estilista viaja em 2015 rumo à capital internacional da moda para apresentar seu trabalho na Black Fashion Week PARIS com o projeto de circulação internacional da coleção VOZES 



PARCEIROS:

Harmonipan Studio
Instituto Flotar
Grupo Kroton – Unime
CEN – Coletivo de Entidades Negras
Secretaria de Justiça e Direitos Humanos – SUDH – Governo do Estado da Bahia
Adama Paris Fashion Events ( http://www.blackfashionweekparis.com )




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Compartilhe!