4.9.16

O poder ancestral na arte de Robinho Santana

 Em tempos de luta por boas representatividades pro povo negro eu vos apresento Robinho Santana, artista que ilustra de forma delicada e ao mesmo tempo forte a ancestralidade africana em sua arte. Uma arte que além da força ancestral tem força política e que busca transmitir a representatividade digna do povo negro.

























































O entrevistei, porque sou curiosa e quis saber da onde vinha essa energia/magia que tem em sua arte.
Então senta e vem conhecer esse cara ( super talentoso). Robinho, quem é você?

 Meu nome é Robinho Santana, Filho de Preta e Vicente, irmão de vários irmãos, nascido e criado no Jardim Ruyce, Bairro periférico da cidade periférica de Diadema, em São Paulo. 









































Como e quando você se iniciou no caminho da ilustração? Alguém te inspirou?

 Meu interesse pela arte vem desde cedo, quando eu nem sabia o que era arte e via nas agendas telefônicas da minha mãe umas flores que ela desenhava com caneta bic bem em cima dos telefones de pessoas próximas que deveríamos ligar em caso de emergência, pois ela passava o dia inteiro fora trabalhando como conselheira tutelar. Sempre achei muito bonito tudo aquilo, uma mulher tão forte e guerreira desenhando uma flor tão sensível numa folha de papel qualquer. 
 Na minha adolescência eu sempre quis fazer tudo, mesmo não sabendo fazer nada, simplesmente pela vontade de fazer, Minha proximidade na época de escola com o skate e o punk me ensinaram a fazer as coisas na melhor forma do D.I.Y. (faça você mesmo), e foi assim com a ilustração, com a música entre outras coisas.
























































Sempre estudei em escola pública e nela nunca fomos informados a respeito de profissões, muito menos relacionadas ao campo das artes. Lá, aula de educação artística significava aula vaga, e o único caminho profissional que mostravam para um jovem da periferia do ABC era o chão de fábrica.Não que fosse ruim ser metalúrgico, até porque minha família quase inteira é, mas eu sempre vislumbrei outros caminhos. Mesmo sabendo que seria muito difícil, uma faísca quase que improvável de fogo, acabei me formando em Design, Fotografia, Modelagem e iluminação 3d, além de alguns outros cursos profissionalizantes de ilustração e artes. Além do apoio e influência dos meus amigos, de minha mãe e pai, ter assistido na época de faculdade o filme do Jean-Michel Basquiat - Traços de uma Vida, foi um divisor de águas. Até então, pra mim artistas eram somente pessoas ricas e europeias e quando eu descobri esse jovem negro, transgressor e artista renomado, transformou a minha cabeça…

 O que te motiva a começar e como você constrói e digitaliza suas ilustrações?

 Hoje eu tenho a arte pra mim quase que como uma rotina e um ritual. Não só trabalho profissionalmente como ilustrador como também produzo minhas coisas pessoais quase que todos os dias não importando necessariamente a plataforma e a ferramenta, podendo ser um pedaço de guardanapo, uma tela, uma madeira encontrada no lixo, uma parede e etc.. e se não for assim me sinto incompleto!

























Minha motivação vem do meu cotidiano em geral, eu tento desenhar o que eu vivo e o que eu vejo ao meu redor, por muitos anos eu me dediquei a desenhar mais o meu bairro em forma quase arquitetônica mesmo e hoje eu procuro desenhar mais as pessoas… Essa motivação e inspiração não tem um momento ou um local exato pra acontecer, posso ver uma pessoa que eu acho interessante na rua e querer transforma-la no meu estilo de arte, assim como ela pode estar em um filme, em uma foto ou em qualquer outro meio. 

 O meu processo é quase sempre um rascunho com a a ferramenta e a plataforma que eu tiver na mão na hora (lápis, papel, caneta, tesoura, giz e etc…) e se for um trabalho digital, eu sempre uso um scanner ou fotografo o rascunho e finalizo em um mix de softwares e técnicas…A ordem então em trabalhos digitais é “basicamente”, rascunho, scanner, photoshop, impressão. E atualmente, tenho me dedicado a aprender serigrafia que é um processo muito mais árduo de impressão, por enquanto estou na época tentativa e erro pois eu mesmo estou querendo fazer a impressão em si e a sujeira que tenho feito não tem limites rs, mas o sol há de brilhar hehehe…


























































Você tem um estilo de ilustração muito lindo, remete à África, as máscaras os desenhos em paredes...Essa semelhança foi intencional, o que te inspirou a seguir esse estilo?

 Sim, totalmente intencional! Tenho o privilegio de ser filho de pais militantes do movimento sindical e do movimento negro, e desde o dia em que aprendi em casa sobre Dandara e Zumbi dos Palmares os tornei meus heróis! Isso fez que eu produzisse uma arte que eu acredito ser política. Busco transmitir por meio da minha arte aspectos da vida cotidiana e brasileira e tudo aquilo que não vi nas escolas em que estudei, a representatividade digna do povo negro. Busco fazer uma arte que eu me sinta identificado e representado e que permita causar a mesma sensação as pessoas que entram em contato com ela. É natural que enquanto homem negro, que pinta mulheres e homens negros a minha arte seja encaixada como “Arte Negra”, hoje ainda é necessário categorizar e ser categorizado, ja que vivemos num pais racista, mas o que eu faço é natural, sou eu, minha mãe, meu pai, meus irmãos, meus vizinhos, meus amigos, meus amores, meus ancestrais e mais de 53% da população brasileira, é afirmativo! E enxergo o meu privilegio de ser um homem negro de pele mais clara que de meus “irmãos” enquanto a policia me para dentro do ônibus com tapas e coronhadas na nuca, meus “irmãos” de pele mais escura são parados com 111 tiros, meu trabalho é também sobre isso, é político! 

Como faz pra comprar uma ilustração sua? Você vende por loja virtual, encomendas ou eventos? 

Sim, eu vendo alguns dos meus trabalhos, uma sárie de prints e venho produzindo uma outra série de desenhos feitos em serigrafia. Por enquanto a única forma pra poder comprar estes desenhos é por encomenda no inbox do meu instagram ou facebook. Mas em breve farei uma loja virtual pra poder vender todas essas minhas coisas com mais facilidade… :) 

 Quais são as suas maiores inspirações pro seu trabalho? Ilustradores figuras históricas?

 Minha vida inteira sempre fui rodeado por pessoas muito talentosas, costumo dizer que sou fã numero 1 dos meus amigos. Dentre eles, minha maior inspiração, meu vizinho irmão e amigo desde os 5 anos de idade e artista acima de qualquer crítica que eu possa fazer, Jonas Rocha vulgo: Jerona Ruyce. Entre outros amigos artistas que me influenciaram e ainda influenciam muito como: Flavio grão, Renato Zerbinato, Elvis Martuchelli, Carlos Gobbo, Denis DME, Micaela Cyrino, Nenê Surreal, Pixote mushi, Roberto Zags, Edson ike, Marcelo D salete, Cabelo e um número quase que infinito de amigos que me influenciam diretamente e indiretamente na minha arte. E fora eles, pessoas que fizeram por valer um trabalho dedicado a representação do povo como: Carolina Maria de Jesus, Nina Simone, Frida Kahlo, Jose Guadalupe Posada, Racionais Mcs, Fela kuti, sabotage, Elza Soares, Basquiat, Heitor dos Prazeres, Spike lee, Malcom X, Mandela, Martin Luther King e vários, vários outros... 



























































Qual o maior objetivo quando você faz alguma ilustração?

 Quando crio algo eu tento me identificar e me representar naquilo, tentando fazer com que as pessoas que entrem em contato com ela também sintam o mesmo. Quando faço um desenho que não seja nessa temática racial eu também tento me identificar naquilo. Um dia ouvi alguém dizer que quando você coloca um trabalho na rua ele ja não é mais seu, pois a identificação e a significação do outro vai ser diferente da sua, portanto, eu tento fazer algo que as pessoas se identifiquem e se sintam representados com aquilo da forma que elas quiserem, mas que não seja apenas um desenho bonito e decorativo sem significados, o que eu não quero é que não seja arte pela arte.

 Onde você quer Chegar? Ambições?

 Mano, responder essa pergunta é de uma dificuldade tremenda, inclusive já é difícil de acreditar onde eu já cheguei com a minha arte, pois a anos atrás quando eu comecei a chorar esperando um ônibus no terminal piraporinha em diadema em uma fila quase que quilométrica dizendo pra mim mesmo que eu já não aguentava mais (estudar, trabalhar, estudar) e que aquilo ali não era pra mim, eu jamais imaginaria que no futuro eu estaria respondendo uma entrevista sobre o meu trabalho pessoal, e isso pra mim é simplesmente incrível! Sou cidadão do Jardim Ruyce, um lugar que como igual a quase todas as periferias a única diversão que tem pra juventude é um bar ou o futebol no asfalto. Prefiro não responder exatamente onde eu quero chegar, pois já estou em um lugar que já não me imaginava, caminho no “sapatinho” e só almejo o melhor, uma surpresa boa é sempre uma surpresa boa. E ambição eu acredito que seja a mesma que todos os artistas tem, que é o reconhecimento, e isso de certa forma vem acontecendo, é de uma felicidade enorme quando eu abro meu inbox ou email e vejo uma mensagem de alguém que não conheço lá do Kênia, África do Sul, Nova Iorque, Londres, Bahia, Minas, São Paulo e etc…Simplesmente pra elogiar o meu trabalho. Isso não tem preço! Sou Grato!




























Gratidão ao Robinho Santana por toda atenção e disponibilidade. 

 Siga Robinho Santana: Facebook: https://www.facebook.com/robinhosantana01 
Instagram: @robinho_santana


22.8.16

Tendências : Estampas marmorizadas ganham espaço na moda

Que o mármore é um clássico da decoração todo mundo já sabe, né?! O estilo  escandinavo trouxe de volta à  moda decorativa esse clássico da decoração, que há um bom tempo estava entre aqueles itens bregas que ninguém usa mais. Mas agora ele vem em versões pontuais, minimalista, traduzindo esse tão desejado Lifestyle de uma uma vida mais simples. Um vazinho, o tampo da mesinha de centro, uma casa toda branca e apenas o piso marmorizado ou quem sabe estampando a capa de uma almofada no sofá todo branco. Menos é mais! Minimalismo is the new black!  
 Agora  que ele saiu dos pisos e das paredes das nossas casas,  para  estampar camisas, calças e vestidos é uma novidade! Se você é ligado em moda , já deve ter visto algumas peças com estampas marmorizadas por aí. Semana passada pesquisando, achei numa dessas fast fashion gringas  uma capa de poliéster toda marmorizada, bateu o desejo, mas me contive! No entanto, por que não mostrar aqui no blog e inspirar você que está aí atrás de novidades?! Pensando nisso, selecionei alguns looks e peças cheias de estilo pra você que como eu ama esse estilo minimalista. Se liga aí:























1.8.16

Inspire-se no estilo do cantor Dev Hynes volalista do Blood Orange

























































Vocalista da Blood Orange, Dev Hynes  é um dos artistas mais estilosos do momento e tem chamado atenção das maiores revistas de moda e inspirado o estilo de centenas de meninos mundo a fora. Cantor, compositor e produtor britânico, ficou na lista das 50 pessoas mais cools do rock em 2007 pela NME, e de lá pra cá seus looks e composições com referências nos anos 90 tem sido um colírio para os nossos olhos .
A estética noventista também está presente no som da Blood Orange, com referências do Rhythm and Blues  e música eletrônica.

Muito do que você vê dos seus amigos usando hoje nas redes sociais vêm de inspiração nos looks dele! Está aí as famosas camisas de gola alta que voltaram com tudo, os top croppeds, macacão jeans , calça jeans de brechó com cintura alta, boné e bucket rats com tranças e óculos redondo. Puro tombamento!

O melhor do estilo dele é que muita coisa é de brechó, e dá pra se vestir assim sem gastar muito ! Apesar de às vezes ele aparecer todo de Moschino .
































































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25.7.16

Rose Quartz : a cor do ano e a fluidez de gênero








































Pela primeira vez duas cores foram escolhidas como a Cor Pantone do Ano, o Rose Quartz e o Azul Serenty, mas fato é que em 2016  a cor que prevaleceu foi o rosa pastel, nomeado como Rose Quartz. A duas cores foram escolhidas para representar um híbrido entre o feminino e o masculino, uma espécie de fluidez de gênero, os tons em pastel por simbolizar a necessidade de tranquilidade  para enfrentar os momentos de crise em que vivemos, contudo o Rose Quartz foi a cor que ganhou destaque e prevaleceu na moda, na decoração e nas artes em geral . Ela pode ser vista nas ruas e nos sites de moda mundo a fora. E em se tratando de moda masculina, que é enfoque aqui do blog, foi a cor que pegou  e é a aposta de grandes marcas de moda, que atualmente propõem uma moda sem gênero, roupas que podem transitar entre o masculino e o feminino, não só nas modelagens, mas também nas cores.

Pensando no quanto estou amando o Rose Quartz e os diversos tons de rosa pastel que estão super em alta, fiz uma seleção de imagens e looks inspiradores para vocês, mostrando também como meninos e meninas usam as mesmas peças e cores. Espero que curtam e se inspirem!




















































































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